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Depressão e microbiota intestinal

Atualizado: 9 de Dez de 2020


A depressão é um transtorno psiquiátrico muito conhecido por provocar mudanças de humor, mas também por alterar as funções cognitivas, psicomotoras e vegetativas (sono, apetite). 


Hoje já se sabe que além do desequilíbrio nos neurotransmissores, está presente o estresse oxidativo e o aumento de marcadores inflamatórios, que irão desregular o nosso sistema imunológico e interferir em algumas reações metabólicas. 


O intestino humano abriga trilhões de microorganismos que impactam diretamente na saúde, seja de forma positiva ou negativa. A chamada microbiota intestinal quando recebe o combustível adequado, promovem benefícios para o indivíduo como: produção de vitaminas, de substâncias que servirão para a sua própria manutenção e outras para reduzir a inflamação, produção de neurotransmissores fundamentais para a saúde mental entre outras funções. 


O padrão alimentar que mantemos promove uma seleção dessa microbiota. Sabemos que alimentos ultraprocessados de forma geral, assim como o consumo excessivo de doces, maltodextrina (encontra em industrializados e suplementos), adoçantes artificiais e emulsificantes (pães, bolos, recheios, alimentos prontos e industrializados), são exemplos que contribuem para a seleção de bactérias ruins, um intestino mais permeável e a erosão da camada de muco (que protege o intestino).


Com o intestino mais permeabilidade, algumas substâncias indesejáveis são absorvidas, gerando mais neuroinflamação, alteração no metabolismo dos neurotransmissores e redução da disponibilidade de seus precursores, agravando assim o quadro de depressão. 


Por outro lado a presença de fibras, alimentos in natura e a redução do consumo de alimentos industrializados, selecionam as bactérias benéficas e preservam o intestino íntegro. 


É importante ressaltar que apenas suplementar probióticos (bactérias benéficas) não modificará a microbiota. É fundamental manter um padrão alimentar que irá fornecer o substrato (fibras e prebióticos) para a sobrevivência dessas bactérias. 



Referências Bibliográficas:


Lyte, M. Probiotics function mechanistically as delivery vehicles for neuroactive compounds: Microbial endocrinology in the design and use of probiotics. Bioessays 3(8):574-581, 2011.


Silvestre C.M.R.F. O diálogo entre o intestino e o cérebro - Qual o papel do probióticos. Lisboa, 2015. 


Kelly, J. R., et al. Breaking down the barriers: the gut microbiome, intestinal permeability and stress-related psychiatric disorders. Frontiers in cellular neuroscience, v. 9, 2015.


Lindqvist D., et al. Oxidative stress, inflammation and treatment response in major depression. Psychoneuroendocrinology, v. 76, p. 197-205, 2017.


Sandhu K.V. et. al. Feeding the microbiota-gut-brain axis: diet, microbiome, and neuropsychiatry. Translational Research, v. 179, p. 223-244, 2017.

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